Land Art
Iniciar a aula debatendo com os alunos sobre o lugar das obras de arte. Pergunte:- Qual é o lugar das obras de arte?
- É possível ver obras de arte fora dos museus? Onde?
O professor deve explicar que atualmente a prática artística se expandiu de tal forma que pode estar em espaços fora dos museus: nas ruas, na natureza, na internet. Isso acontece por causa da mudança do parâmetro artístico em processo desde a metade do século XX que abre espaço para a aproximação da arte com a vida, para experimentações de várias ordens, para o uso de materiais até então tidos como não artísticos.
A Land Art foi uma das respostas artísticas possíveis, surgida na década de 1960, com artistas buscando a natureza como lugar de suas obras. Essa postura é bastante diferente da utilização da natureza como pintura de gênero vista em diversas obras, como por exemplo, a Paisagem do Rio, pintada por Gustave Coubert em 1869.

Paisagem do Rio
Os artistas que criavam dentro do contexto da Land Art buscavam na grandiosidade da natureza a reflexão sobre o fazer artístico sempre completado pelo tempo e pelo espaço em que se inseria. Mostrar alguns exemplos:
Espiral de terra e pedra construída no Grande lago Salgado, em Utah por Robert Smithson. 1970

Jetty Spiral
Lighting Fileds, série de para-raios posicionados em um campo aberto no Novo México por Walter de Maria. 1977

Lighting Fields
Costa Australiana embrulhada por Christo.

Costa australiana embrulhada
Instalação de cadeiras feita por Doris Salcedo na Bienal de Istambul em 2003

Instalação de cadeiras
As obras em Land Art existem durante algum tempo e contam basicamente com o registro fotográfico para chegar ao grande público, como vimos nos exemplos mostrados acima.
O professor pode utilizar os textos de Cátia Kanton ou de Cacilda Teixeira da Costa com os alunos para acrescentar mais conhecimentos à aula.
CANTON, Kátia. Espaço e Lugar. São Paulo, WMF Martins Fontes, 2009, pp. 15 a 20 (Coleção temas da arte contemporânea)
O LUGAR DA ARTE
Os termos espaço e lugar têm o mesmo significado? Na verdade, cada um deles designa uma relação singular com as circunstâncias e os objetos, segundo o pensamento de Anthony Giddens. Para esse sociólogo britânico, a palavra “espaço” é utilizada genericamente, enquanto “lugar” se refere a uma noção específica de espaço: trata-se de um espaço particular, familiar, responsável pela construção de nossas raízes e nossas referências no mundo.
[...] Uma das características que definem a existência da arte é o fato de ela ocupar um espaço comumente pensado como espaço institucionalizado do museu ou da galeria, para citar os exemplos mais conhecidos de instituições artísticas.
Historicamente, o museu sofreu modificações ao longo do tempo [...]
As primeiras coleções de arte eram privadas e pertenciam a pessoas poderosas e de grande poder aquisitivo. Já a primeira coleção pública, o primeiro museu do Ocidente, é o Museu do Louvre, inaugurado em Paris em 1793. Em ambos os casos, as paredes eram repletas de obras.
Diferentemente dessas coleções de arte, a arte moderna, que começa a tomar corpo no século XIX, demanda um novo tipo de distribuição das obras no espaço, com menos acúmulo, mais respiro entre elas e uma predominância das formas retas e das cores brancas. Baseados no conceito de autonomia da arte, os espaços museológicos consagrados à exibição da arte moderna são chamados de “cubos brancos”. Em 1929, é inaugurado, em Nova York, o primeiro Museu de Arte Moderna, o MoMA, com uma arquitetura modernista que privilegia a ideia de uma neutralidade para abrigar uma arte que deve falar por si mesma.
O PAPEL DA LAND ART
Nos anos 1960, particularmente nos Estados Unidos, muitos artistas, movidos por um espírito de tempo cada vez mais comprometido com a experimentação, passaram a questionar a institucionalização da arte pelos museus. Na tentativa de transformar o espaço de “fora”, em oposição aos espaços de “dentro”, eles se lançaram à ocupação do espaço externo, que muitas vezes coincidia com o espaço da natureza.
Essa ocupação transformou-se em movimento artístico, chamado de land art, que se caracteriza não por ser uma arte da paisagem, como no caso das pinturas de paisagem sistematizadas como gênero pela Academia de Belas-Artes desde o século XVII, mas sim como uma arte feita na paisagem. Por trás da ideia da land art, está, portanto, o desejo de mapear um novo território artístico.
Tal atitude pode ser associada ao espírito norte-americano de conquistar novas fronteiras. Outra associação possível está no desejo de domesticar uma natureza intocada e agreste, não raro virgem da presença humana. A ação na natureza se deve também ao desejo desses artistas de buscar a solidão ou a meditação como contraponto à urbanização crescente. Em suma, a possibilidade de realizar uma construção junto à natureza, muitas vezes no isolamento, incita uma experiência estética inovadora. [...]
COSTA, Cacilda Teixeira da. Arte no Brasil 1950-2000: Movimentos e Meios. São Paulo, Alameda, 2004, pp. 65 a 20.
LAND ART
Dos ambientes e da Arte povera deriva a land art, uma intervenção sobre a natureza e na natureza que, ao contrário da busca de fisicalidade, enfatiza o processo mental. Organiza-se como movimento em 1968, com a exposição Earth works, tendo como ponto de partida as reflexões minimalistas de Robert Morris, Carl André e Dan Flavin que sublinham o procedimento, a matéria e o papel do lugar no resultado da obra. A partir daí, popularizou-se a expressão site specifics, em referência aos trabalhos feitos para um lugar determinado e que incorporam o entorno onde estão instalados.
No caso da land art, a natureza é o meio e o lugar em que se dá a experimentação artística. É a natureza o verdadeiro agente da obra de arte, pois, com o tempo (erosão, chuva, estações), ela acaba por modificar o caráter primeiro da proposta de trabalho. Ao operar com o tempo, tais proposições rompem com a noção de perenidade, mas fixam o instável por meio de processos fotomecânicos. Desejam romper com o mito artístico, mas cada artista imprime à natureza a marca de sua subjetividade, apropriando-se dela de modo estético. [...]
Após conhecerem essa outra forma de fazer artístico relacionada à paisagem, proponha aos alunos que eles escolham o lugar que mais gostam na escola.
Eles devem fazer um desenho desse local que pode ser áreas abertas (pátios, quadras) ou espaços fechados (salas de aula). O importante é que ele tente desenhar respeitando ao máximo as características reais do local escolhido.
Com os desenhos finalizados o professor deve propor que eles imaginem uma interferência nesse local, algo que habitualmente não poderia estar ou acontecer nesse ambiente que eles desenharam. Distribua folhas de papel manteiga ou papel vegetal. O aluno deve posicionar a folha por cima do seu desenho e redesenhá-lo, agora inserindo as características que não fazem parte desse ambiente na realidade.
Essa atividade é uma aproximação dos alunos com a possibilidade (ainda que hipotética) de interferir nos ambientes. O professor pode realizar uma exposição contrapondo os locais reais desenhados pelos alunos e as interferências imaginadas para esses locais.
Essa atividade foi extraída da aula "Land Art", da professora Renata Oliveira Caetano - Juiz de Fora/MG. Disponível no Portal do Professor/MEC. Acessado em 15/07/2013. Todas as informações contidas nela são de responsabilidade do autor.